Vencer a si mesmo.


“Nos seres inferiores da Criação, naqueles a quem ainda falta o senso moral, nos quais a inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação. Eles, pois, lutam unicamente para viver, isto é, para fazer ou defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. É nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida. No homem, há um período de transição em que ele mal se distingue do bruto. Nas primeiras idades, domina o instinto animal e a luta ainda tem por móvel a satisfação das necessidades materiais. Mais tarde, contrabalançam-se o instinto animal e o sentimento moral; luta então o homem, não mais para se alimentar, porém, para satisfazer à sua ambição, ao seu orgulho, a sua necessidade de dominar. Para isso, ainda lhe é preciso destruir. Todavia, à medida que o senso moral prepondera, desenvolve-se a sensibilidade, diminui a necessidade de destruir, acaba mesmo por desaparecer, por se tornar odiosa essa necessidade. O homem ganha horror ao sangue.

Contudo, a luta é sempre necessária ao desenvolvimento do Espírito, pois, mesmo chegando a esse ponto, que nos parece culminante, ele ainda está longe de ser perfeito. Só à custa de sua atividade que o Espírito adquire conhecimento, experiência e se despoja dos últimos vestígios da animalidade. Mas, nessa ocasião, a luta, de sangrenta e brutal que era, se torna puramente intelectual.

O homem luta contra as dificuldades, não mais contra os seus semelhantes.” (A Gênese, Allan Kardec)

Vejamos esse texto extraído do Capítulo III, do livro publicado em janeiro de 1868, “A gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo”, parte onde Kardec discorre sobre a questão do bem e do mal, nos domínios filosóficos e abordando o fato sempre intrigante, reconhecida a justiça e bondade infinitas do Criador, e a destruição dos seres vivos uns pelos outros.

Temos conhecimento pela literatura, que os espíritos superiores estão entre nós, encarnados ou não, para nos auxiliar no progresso moral, para que sigamos caminhando para o bem maior, ou seja, ninguém está abandonado à própria “sorte”.

E ainda quando fazemos escolhas ruins, atitudes menos evoluídas, a espiritualidade está ao nosso redor, tentando nos tocar com seu auxilio, e nós que decidimos com o que queremos sintonizar, pois tropeçar, cair, estagnar, faz parte do processo. E, nesse momento, quando parece que tudo está “escuro”, quando não vemos a saída, próximo ou já em desespero, devemos nos ajoelhar, e rogar ao Pai Maior por ajuda, e acreditar...

Em momentos em que a nossa fé parece estar sob teste, e que muitas vezes se mostra menor que o grão de mostarda, é nesses momentos que devemos ter certeza de que a ajuda virá.

Nosso fardo é proporcional a nossa capacidade de carregar, por mais que não consigamos acreditar por vezes SE daremos conta, a providência Divina nos desafia, porque acredita muito mais na nossa capacidade de superarmos os desafios do que nós mesmos.

Temos que conseguir transpor o desafio, não estamos aqui para sermos perfeitos, não estamos aqui para ter um caminho só de flores, como foi dito, vamos tropeçar e cair algumas vezes, mas temos que orar e com fé pedir ajuda.

No texto de Kardec, vemos a análise da evolução dos seres, e que por fim, a verdadeira luta é contra as dificuldades internas, e não mais uma luta entre pessoas, e que a maior disputa é sua com você mesmo.

Cientes que, de acordo com a nossa evolução, novos desafios virão, pois estaremos mais fortes e esclarecidos, assim como esperar de uma criança decisões dos adultos não se faz possível, e com o crescimento dessa criança, uma vez adulta, não se esperam mais equívocos infantis, o aprendizado é constante, e é assim com cada um de nós, superada a infância da alma, as responsabilidades e desafios serão proporcionais, mas na certeza do amparo da espiritualidade amiga.

Vamos compreender que a caminhada evolutiva é conjunta, que as nossas atitudes têm alcance e efeitos no mundo material e espiritual, compreendendo isso, vemos que já não estamos mais entre os seres inferiores, e por tanto não vamos buscar vencer o outro, não vamos querer ter razão, vamos vencer à nós mesmo, vamos buscar a paz.

Que nos dias de luta não nos esqueçamos do nosso propósito maior, que vai além do que nossos olhos físicos vêem, que acalmemos a mente, e permaneçamos em oração com fé.

Como disse Chico Xavier, “ISSO TAMBÉM PASSA”.

Muita luz e paz à todos.

CEIL Recanto do Saber.

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